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quinta-feira, 6 de novembro de 2008

O Irã também é Pop


Marjane Satrapi foi uma exceção no Irã das décadas de 70 e 80. Criada por uma família engajada politicamente e com uma formação acadêmica laica, ela viu as repetidas revoluções devastarem seu país. E, com criatividade, crítica e humor, resolveu contar sua história...
"Persépolis" é uma coleção dos cartoons da autora quando esta se mudou definitivamente do Irã; um país destroçado pela guerra, pelo autoritarismo e pela intransigência totalitarista. O livro é contado do ponto de vista da autora e segue a narrativa à medida que Marjane cresce e se dá conta de si mesmo e do mundo que a cerca.
A infância é cheia de nostalgia e humor; mas um humor agridoce e inocente. Quando ela se muda para a Europa e passa a encarar o preconceito e os desafios de uma adolescente exilada, o tom das tiras muda: torna-se mais sério e mais contundente.
De qualquer modo, o livro mostra como a cristividade, a crítica e o humor são capazes de modificar uma vida, ou mais. "Persépolis" é, por isso mesmo, um livro chjeio de referências pop, cheio de graça e conflitos. O formato caricatural serve de contraponto a uma história densa e difícil de ser contada, se outro modo narrativo fosse escolhido.
Fica a dica para quem se interessa pela cultura oriental, para quem gosta de literatura ou simplesmente para quem quer ler uma boa história. Com esse relato, Marjane conseguiu justamente o que queria: tocar pessoas e esclarecer sua origem e sua cultura.
É um alívio poder entrar em contato com esse universo sem ter que ler histórias pesadas, cheias de clichês melodramáticos, como os encontrados em "O caçador de Pipas", por exemplo...
Por isso, leia "Persépolis"!