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Depois de um breve recesso, a Cantina reinicia seus trabalhos! Desta vez, nos arriscamos a ver o novo filme do diretor Woody Allen, "Vicky, Cristina, Barcelona". O risco se explica: o filme foi encomendado pela cidade de Barcelona (o que nos passa a idéia de uma obra panfletária, do tipo "venha nos conhecer"); além disso, corria-se outro risco, que atende pelo nome de Penélope Cruz. Muitos a idolatram, a acham uma excelente atriz, mas, na Cantina, ela vai ser sempre lembrada pelo insípido "Vanilla Sky" e pelo inassistível "Sabor da Paixão"!
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E qual não foi a surpresa ao nos deparamos com um ótimo filme!
Vicky (Rebecca Hall) e Cristina (Scarlet Johanson), amigas de faculdade e com gênios diametralmente opostos, vão a Barcelona procurando por algo novo, algo que modifique suas vidas. E encontram, na figura do pintor Juan Antonio (Javier Bardem).
Vicky é a centrada, a correta e neurótica (a contraparte cinematográfica de Woody Allen, típica de quase todos os seus filmes) e, surpreendentemente, cai primeiro na rede de Juan Antonio, mesmo às vésperas de se casar com um homem correto, decente e, por isso mesmo, sem-graça. Logo depois é a vez de Cristina, que procura algo que não sabe o que é. Depois de se instalar com o pintor, sua vida parece ter seguido finalmente o rumo certo. Até que entra em cena Maria Helena (Penélope Cruz), a mentalmente instável ex-mulher de Antonio.
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E aqui realmente o filme toma as cores da cidade e passa a se tornar o que se pretende dele. A personagem de Maria Helena, interpretada com vontade e paixão por Cruz, torna os personagens e o próprio filme, mais interessantes. Sem ela, percebe-se a mediocridade em que vivam todos. Ela é o gênio, a musa, a motriz do filme.
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Por um momento parece que estamos assistindo a um filme de Pedro Almodóvar, tamanhos os matizes que Allen toma emprestado. Sobretudo na caracterização dos personagens. Assim como o diretor espanhol costuma fazer, este é um filme feminista e feminino.
De acordo com a trama do filme, os homens têm duas opções: ou se conformam em ser o cara "bonzinho", cujo casamento resultará numa inevitável monotonia; ou ocupam-se em ser charmoso e sedutor, e, por isso mesmo, ser abandonado por todas as mulheres à sua volta.
Há na verdade, uma terceira opção, que o filme deixa implícita: procurar uma Maria Helena, para dar mais cor à sua vida...
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segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Vicky e Cristina tentam, mas só dá Maria Helena!
terça-feira, 11 de novembro de 2008
E o nome ainda é Bond...
Já na primeira cena, vemos uma perseguição automobilística competentemente filmada e a destruição do BMW do agente. Depois disso, o filme segue em ritmo vertiginoso a busca vingativa pelos responsáveis pela morte de Vésper (Eva Green, em "Cassino Royale"). James Bond não lembra em nada os outros Bond´s. Parece o irmão mais velho de Jason Bourne, outra franquia que provou que os filmes de espões podem funcionar...
Se a nova abordagem do agente (convenientemente remodelado para alcançar a juventude) causa estranhamento, à princípio, ele se desfaz nas cenas de ação quase ininterrupta em que o filme segue... Tanto roteiristas quanto diretor parecem ter aprendido a lição e não repetem os erros de seus antecessores. Porque, se você for assistir a um 007 antigo ou a um "Missão Impossível", vai perceber que a trama mirabolante para dominação mundial é explicada quase didaticamente a cada pausa na ação, para que saibamos o que se passa. Aqui, não há muitas explicações. E, mesmo que você tenha perdido "Cassino Royale", é fácil seguir a linha narrativa sem se perder.
James Bond é mais taciturno, mais brutal e, por isso, mais eficiente. Sua licença para matar é levada à última instância. Além disso, Daniel Craig consegue fazer um Bond mais humano, que sangra, quando é atingido...
Mas a ess}encia atinda está lá: ação, espionagem, viagens por todo o mundo. Com isso tudo, ficamos com a ligeira impressão de termos sido enganados por algum tempo: afinal, esse é um filem digno de James Bond. E os outros, o que foram?
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
Em cartaz: Ensaio sobre a Cegueira
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Na trama, uma epidemia de cegueira branca atinge diversos segmentos da sociedade, de forma contagiosa, espalhando alarme, surpresa e caos. Os infectados passam a ser segregados, pelo bem maior, e são despejados, aos montes, em instituições nada apropriadas para tal. Dentro desses verdadeiros "manicômios", vê-se a luta pela sobrevivência. E, no meio disso tudo, resta Julianne Moore, a única capaz de enxergar o que se passa...
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O slogan do filme já anunciava o que viria: afinal, quando todos estão cegos, enxergar pode ser o pior castigo de todos. E é o que acontece; a personagem principal, e o expectador, são obrigados a ver atos de brutalidade, de vandalismo, crueldade e raros exemplos da bondade humana, num retrato intragável da sociedade atual. Não surpreende que a crítica tenha se dividido: acostumados a filmes palatáveis, como "Eu sou a Lenda", em que há a imagem de um herói, há um esforço para se procurar uma cura para todo mal e mostrar que a humanidade é capaz de se superar. Aqui, o tom não é tão dicotômico; não há preto ou branco, a moral de cada um prevalece e, embora, sim, possamos crer que a humanidade "tem salvação", até chegarmos lá, poderemos ver nos deparar com cenas nauseantes, como as seqüências de estupro dentro da instituição...
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Fernando Meirelles permanece mostrando seu talento. É dele os não menos excepcionais "Cidade de Deus" e "O jardineiro fiel". Agora, neste campo mais árido da literatura, embora não tenha sido unânime, o diretor sai com um bom resultado; afinal, até José Saramago se emocionou e aprovou a transposição de sua história... Fernando, aqui, aposta em cores frias, em não revelar tudo ao expectador, em desfocar a imagem em alguns pontos, em contrastar luz e cores...
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Outro ponto que merece destaque é a atuação de Julianne Moore. É impressionante seu constante empenho em seus personagens, suas atuações brilhantes em filmes arriscados como este. Aqui, ela é quem nos guia no meio do caos instalado. Uma personagem sem nome, que pode ser tanto heroína como vilã, humana, como todos nós...
O conselho da cozinha da "Cantina POP" é: assista o filme, mas prepare-se para lidar com emoções com as quais não está acostumado (ou com as quais não goste de conviver). O filme ultrapassa a tela e oferece uma rara oportunidade de reflexão. E qualquer um que não veja isto é um verdadeiro cego...
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
Os Desafinados
"Os Desafinados", filme de Walter Lima Jr. é mais um dos eventos de comemoração À Bossa Nova. Nele, um grupo de jovens músicos tentar decolar suas carreiras ao viajarem para a big apple, onde encontram amores, amizades, dificuldades e diversão.
O filme tem muitas vantagens e alguns defeitos. Em primeiro lugar, trata-se de um longa sobre pessoas cujas vidas não saíram como elas planejaram; o que pode render um excelente filme ou nos entediar com louvor. A nova produção tupiniquim fica no meio do caminho...
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O filme é muito bem executado. Tomadas bucólicas do Rio de Janeiro na década de 60, belas imagens de Nova Iorque e alguns conceitos que funcionam muito bem. São exemplos as cenas onde a personagem de Cláudia Abreu se envolve com um dos músicos (vista pela fresta de uma porta) e onde ela se banha na fente da banda.
A personagem de Cláudia, Glória Baker, na verdade é o grande trunfo do filme. Seu envolvimento com Joaquim (Rodrigo Santoro) e o triângulo formado são o âmago e a segunda melhor coisa do filme, perdendo apenas para a trilha sonora.
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No lado negativo temos a opção do diretor por dublar a maioria das cenas externas e por mantes a voz jovem de Selton Mello quando seu personagem já passou dos 60 anos. Por alguns instantes, parece que estamos assistindo a um filme dos Trapalhões...
O triângulo amoroso formado por Joaquim, Glória e Lú também é pouco explorado. E, na verdade, poderia render mais se o diretor se arriscasse a mostrar o personagem de Ângleo Paes Leme, excelente, e a transformar esse triângulo num quarteto...
Por fim, tem-se o velho vício do cinema nacional: ou trata-se de um filme de crítica social ou de um filme histórico. Nesta última categoria, temos sempre jovens lutando contra a ditadura, pessoas escondidas, injustiças cometidas por milicos e todos os clichês que o gênero comporta.
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Resumindo, "Os Desafinados" começa muito bem. A primeira metade do filme realmente te empolga. Mas, se 30 minutos fossem cortados, talvez o espectador sairia mais satisfeito... O filme é como o gênero musical homenageado, a Bossa Nova. Escutar as primeiras músicas de um CD de Jobim ou João Gilberto é realmente delicioso; mas, lá pela faixa 15, você já se cansou do "badá-badá-badá" e reza por um Rock And Roll. Algo mais "Pow!", como diria o personagem de Selton Mello...
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
Por que "O Procurado" não funciona
Filmes baseados apenas em efeitos visuais até funcionam (visto os exemplos de "Independence Day" e "O dia depois de amanhã"), mas o segredo desses filmes é não se levar muito a sério. E neste novo filme, a trama (do excelente quadrinista Mark Millar) é tratada de maneira séria, séria demais.
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Para poder comparar, eu diria que "O procurado" é um misto de "Matrix" e "Missão Impossível", mas apenas nos que essas duas franquias têm de pior. Se nos filmes de Keanu Reeves, a novidade no quesito efeito especial e uma trama a princípio muito boa, aqui, nesta era "pós-Matrix", só o que vemos é a repetição de clichês. E o pior, o protagonista, James McCavoy não tem o carisma de um Tom Cruise, por mais abilolado na cientologia que este seja...
E temos quase duas horas de carros voando pelos artes, balas fazendo curvas, vingança por vingança (como num filme do Steven Seagal). O diretor deveria ter assistido a "Homem de Ferro" ou "Batman - O Cavaleiro das Trevas", só os exemplos mais recentes, para ver como um bom filme de ação deve ser feito.
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A última coisa a ser comentada: Angelina Jolie. Ela é linda, ela é sexy, ela é boa atriz e ela até tem um Oscar em casa! Por que então ela insiste em repetir o papel de femme fatale? Nós já vimos isso em "Tomb Raider", em "60 Segundos" e em vários outros. Aprenda com seu maridão, Angelina, e saia um pouco do lugar comum...
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P.S. Agradecimentos à Srta. Glauce, por ajudar essa cantina a se tornar mais palatável e democrática!
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