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terça-feira, 18 de novembro de 2008

O realismo fantástico


Quando "The OC" começou a fazer sucesso na TV americana, a MTV gringa teve a brilhante idéia de pegar carona nos dramas adolescentes dos playboys da Califórnia e lançou a versão real, intitulada "Laguna Beach". As histórias, passadas como reais para o público, incluiam triângulos amorosos, patricinhas comprando roupas, carros e o que de mais fútil aparecesse.
Apesar de insosso, o reality serviu como alerta para pais e responsáveis de como a juventude gastava seu tempo, sua grana e seus (talvez poucos) neurônios...
Passado algum tempo, "Laguna Beach" cansou e a MTV já tinha algo engatado. Trata-se de "The Hills", que se foca na vida de Lauren Conrad, que deixa as praias ensolaradas da Califórnia para tentar a vida em Los Angeles. Lá ela conhece mais pessoas, arruma um emprego, matricula-se numa faculdade. Mas todo o drama e toda a futilidade estão lá...
A verdade é que tanto "The Hills" como seu antecessor não tem quase nada de real. As conversas são ensaiadas, brigas devem ser repetidas em frente às câmeras. Até mesmo quando da greve dos roteiristas em Hollywood, o show foi suspenso temporariamente (e, se estamos mesmo diante de um reality show, por que roteiristas seriam necessários?).
A verdade é que o que sustenta toda a atração é sua protagonista. Ao contrário das outras patricinhas de Laguna Beach, Lauren parece ter alguns neurônios a mais. Parece ser mais real (porém não muito, ou o show seria arruinado) e parece ter mais a dizer. A câmera a adora, sua presença é cativante.
É por ela, e talvez por uma edição ágil e por uma trilha sonora pop competente, que "The Hills" passa a ser quase um vício... Quando você percebe, já está realmente ligando para os pequenos dramas da vida dessas patricinhas...

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

As maravilhas da TV fechada

No fim do mês de Setembro, os espectadores americanos e aqueles pacientes o suficiente para esperar horas e horas de download, puderam acompanhar o retorno de suas séries favoritas. Aqui, você pode saber o que ocorreu com os residentes do Seattle Grace Hospital e com a turma descolada que vive em cima do McLaren´s Pub...

Comecemos pela turma de Seattle...
No fim da quarta temporada (uma temporada boa, bem melhor que a anterior, considerando as duas grandes ausências no elenco - Isiaah Washington e Kate Walsh), vimos o interesse crescente de Lexie por George, a reaproximação de Izzie e Alex e o "felizes para sempre" de Derek e Meredith.

A nova temporada parte justamente do princípio de que não existe um final feliz. A vida é muito mais complicada, e, por isso, mais interessante, do que isto. A narração de Meredith estava lá, os apelos dos pacientes e tudo o mais... E eu me pergunto: será que a fórmula da séries estaria se esgotando?

Se a temporada passada conseguiu injetar novo ânimo com as tramas dos pacientes submetidos ao estudo clínico da protagonista, agora parece tudo "mais do mesmo". Izzie e Alex se aproximam e, quando o residente percebe isso, se afasta da loira... Lexie apaixona-se por George do mesmo jeito desastrado com que ele se apaixonara por Meredith, duas temporadas atrás... E até Denny (o personagem falecido de Jeffrey Dean Morgan) dá as caras...

Para o começo de temporada, foi razoável. Divertido em algumas partes, muito dramática e piegas em outras... Vamos ver se a série se segura com a reunião definitiva (será?) do casal principal...


Alheios a isso tudo estão os cinco amigos de "How I Met Your Mother", na minha modesta opinião, a melhor série de comédia no ar atualmente (ok, "30 Rock" pode ser a melhor... mas isto é outra história).

A nova temporada já está no segundo episódio e a série continua mantendo um bom padrão de roteiro e atuação, calcado sobretudo na sempre hilária presença de Neil Patrick e seu impagável Barney.

Se a série sempre conseguiu equilibrar comédia da boa com momentos mais sentimentais, com flashbacks e desconstruções de personagens e situações, uma dúvida permanecia: com o súbito interesse de Barney por Robin, as coisas mudariam (para a pior)? A resposta, ainda bem, é um sólido "não"... A série mantém-se fiel a seus personagens.

Acompanhe as aventuras e desventuras dessas duas turmas, em breve nos canais por assinatura (ou num site de download mais próximo de você)...






quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Penélope, Serginho e a Juventude Brasileira

Outro dia, por acaso, acabei sintonizando na MTV (emissora que já foi muito legal) e me dei de cara com o "MTV Na Rua", capitaneado pela VJ Penélope Nova.
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A apresentadora já esteve à frente de programas bem interessantes, como o "Ponto P", o "Peep MTV" e muitos outros. Por isso, o que estão fazendo com Penélope é muita sacanagem! Eu digo isso porque assistir Penélope, que é inteligente e competente no que faz, circundada por jovens ávidos por uma aparição pública ou sem nada a dizer, é realmente cruel.
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Eu me perguntava se o problema eram os jovens ou o formato do programa, quando lembrei de outro expoente da manisfestação jovem na TV, Serginho Groisman. O seu "Altas Horas" é um ótimo passatempo para as noites de Sábado menos movimentadas e, lá, os jovens me parecem menos alienados. A questão é por que?
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Em primeiro lugar, categorizar os jovens como isso ou aquilo é de uma redundância e de uma limitação de pensamento um tanto quanto ridícula, mas, para termos de comparação, por que os jovens dos estúdios do Projac parecem menos alienados dos que aqueles que encontramos nas ruas de São Paulo? Será que há algum tipo de seleção (natural ou não) na escolha daqueles?
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Enquanto Serginho comanda a platéia para realizar suas perguntas (que nem sempre primam pela originalidade, mas mantêm-se num nível intelectual mínimo), Penélope tem de ser didática para tentar extrair qualquer opinião que seja da claque de seu programa... Num, os adolescentes são guiados; no outro, estão à deriva.
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E eu me pergunto se a juventude atual tem mesmo algo a dizer. Afinal, num programa em que se tem um espaço mais democrático e participativo, como o "MTV na Rua", os exemplos de incoerência, alienação e pura babaquice pululam. E, num programa mais controlado, como o global, talvez os inaptos se sintam intimidados a fazer qualquer tipo de aparição...
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No fim das contas, quem representa melhor o público jovem? Os participantes do "Altas Horas" ou a platéia do "MTV na Rua"?

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Skins

Para dar início às atividades da Cantina, comecemos falando do que todo mundo fala: TV. Mas, ao contrário dos pequenos dramas fúteis abordados na nossa querida televisão aberta, falemos ods pequenos dramas existenciais e um tanto fúteis da adolescência britânica; tema abordado na séries "Skins", que já teve duas temporadas no ar e vem fazendo sucesso entre os jovens europeus (e brasileiros).
Se você nunca ouviu falar de "Skins", não se sinta mal. Esse próprio que vos fala só descobriu a série há pouco tempo. E o que eu achei? Você fica sabendo agora...
Tony, Michelle e companhia são como qualquer jovem dos dias atuais. Querem sexo, drogas, festas e diversão. A série se propõe a fazer um retrato um tanto ácido da realidade de tais jovens, mostrando que o comportamento um tanto auto-destrutivo de cada um provém de um sistema de ensino falido, famílias desestruturadas e uma sociedade mais preocupada com o próprio umbigo do que em educar a juventude...
Com uma proposta dessas, a série poderia facilmente cair no exagero ou mesmo no caricato (fato que, realmente, ocorre, às vezes). Mas o fato é que a dinâmica do programa funciona. Com um texto ágil e um humor tipicamente britânico, a série foge dos lugares-comuns da maioria das séries feitas para o público teen: rostinhos bonitos, famílias-modelo, briguinhas de namorados...
Mas não pense que a série funciona como um estudo sociológico profundo da realidade atual. Seu principal trunfo é a diversão, fato que o programa alcança, com louvor.
Afinal, o que mais você espera de um série?